Quem trabalha pelo regime da CLT pode ficar um pouco perdido com os conceitos de salário bruto e líquido. Na prática, os dois conceitos são bem simples, mas é preciso ter atenção ao que é desconto e o que é benefício! 

Saber como funciona o salário bruto e líquido é essencial para manter as contas em dia, e até mesmo conseguir economizar dinheiro (mesmo ganhando pouco).

Neste artigo explicamos as diferenças entre salário bruto e líquido, o que muda em cada um, como são feitos os cálculos de descontos e quais benefícios estão inclusos no seu pagamento. Continue a leitura!

O que é o salário bruto?

O valor do salário bruto é referente ao pagamento total do funcionário. Ou seja, é o valor que desconsidera os descontos fiscais obrigatórios. Quando negociamos a remuneração de um cargo, é com o salário bruto que fazemos a proposta.

O salário bruto muitas vezes também será chamado salário base, já que é a partir dele que os benefícios e descontos são calculados. 

Quais benefícios são calculados com base no salário bruto?

Os benefícios são valores além do seu salário. Ou seja, é um dinheiro que sai do bolso da empresa, agregado como direito do trabalhador. É importante ressaltar que esses benefícios não são descontados da folha de pagamento! 

FGTS 

Todo trabalhador registrado pela CLT deve ter uma conta nominal na Caixa Econômica Federal, onde a empresa deve depositar mensalmente um valor referente ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

O cálculo do FGTS é de 8% sobre o valor do salário bruto. O dinheiro depositado pode ser utilizado para financiamento imobiliário, saque em caso de demissão sem justa causa, ou em saques emergenciais, como ocorreu durante a pandemia de Covid-19.

Décimo terceiro

O Décimo Terceiro Salário é um salário a mais que o trabalhador tem direito a receber. Esse pagamento, ou bonificação, pode ser depositado em uma única parcela, ou em duas parcelas ao longo do ano.

É comum que as empresas dividam esse pagamento para o mês de aniversário do trabalhador e a segunda parte para dezembro. Para ter direito, é preciso estar devidamente registrado na CLT e ter pelo menos 15 dias de trabalho na empresa.

Quando o pagamento é fracionado em duas partes, a primeira será baseada no salário bruto, sem nenhum desconto, enquanto a segunda parte terá desconto do INSS e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF).

Férias

Todo trabalhador tem direito às férias remuneradas após 12 meses de trabalho. Para fazer o cálculo das férias, é preciso considerar o valor do salário bruto dos últimos meses trabalhados, desde o último período de férias, e então somar ⅓ desse valor.

Só depois dessa conta a empresa deverá fazer os descontos de IRRF e INSS. 

Sendo assim, caso você peça férias após 1 ano e 3 meses de trabalho, o cálculo deve considerar os 15 meses totais, e não somente 12. 

Na prática, o cálculo irá dividir o salário bruto por 12 meses. Com esse número ele deverá ser multiplicado pelo tempo trabalhado. Depois disso, deve-se calcular quanto é ⅓ do salário bruto e somá-lo ao cálculo de tempo trabalhado. 

Sendo assim, com um salário bruto hipotético de R$ 2.000,00, as férias serão de:

  • R$ 2.000,00/12 = R$ 166,66
  • R$ 166,66 X 15 (meses trabalhados) = R$ 2.499,90

Seguido por

  • R$ 2.000 x ⅓ (adicional) = R$ 666,66
  • R$666,66 (valor do adicional de ⅓) + R$ 2.499,90 = R$ 3.166,56 (bruto das férias)

Com o valor total, é descontado o INSS e o IRRF das férias.

Vale-transporte

O cálculo do vale-transporte deve incluir o valor diário que o trabalhador precisa para se deslocar até a empresa e depois retornar para casa. 

Esse valor pode ser dividido entre a empresa e o empregado, com um desconto de até 6% do salário bruto. Se o gasto for maior que isso, a empresa deve cobrir a diferença. 

Descontos calculados sobre o salário bruto

Por outro lado, os descontos são retidos diretamente do salário bruto, sendo essas cobranças obrigatórias.

O cálculo deve ser feito pelo salário bruto para não confundir o que é benefício e o que é o salário do trabalhador. Os descontos também são progressivos, o que significa que quanto maior for o salário bruto, maior será o desconto.

INSS

A contribuição do INSS segue uma tabela proporcional e progressiva para definir qual é a porcentagem do desconto do salário. 

  • Até R$ 1.100 — 7,5% ;
  • De R$ 1.100,01 a R$ 2.203,48 — 9%
  • De R$ 2.203,49 a R$ 3.305,22 — 12% ;
  • De R$ 3.305,23 a R$ 6.433,57 — 14% .

Ao contribuir com o INSS, o trabalhador fica assegurado sobre aposentadoria por tempo de contribuição, aposentadoria por invalidez, afastamento por doença ou outros motivos que o levem a necessitar da previdência.

IRRF

O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) também é descontado diretamente da folha de pagamento, com cálculo pelo salário bruto. Assim como o INSS, o IRRF também acompanha um cálculo progressivo baseado na faixa salarial:

  • Até R$ 2.500 — 0% (isento); 
  • De R$ 2.500,01 a R$ 3.200 — 7,5% ;
  • De R$ 3.200,01 a R$ 4.250 — 15% ;
  • De R$ 4.250,01 a R$ 5.300 — 22,5% ;
  • Acima de R$ 5.300,01 — 27,5%.

Faltas e atrasos

Além dos descontos obrigatórios, outros descontos também podem ser feitos com base no salário bruto. 

A CLT prevê uma margem de 5 a 10 minutos de tolerância para atrasos. Qualquer tempo maior que isso, ou faltas injustificadas, poderá ser descontado do salário o valor proporcional.

Pensão Alimentícia 

Para trabalhadores que precisem contribuir com a pensão alimentícia, o desconto também pode ser diretamente na folha de pagamento. Para isso, o cálculo também considera o salário bruto, com a porcentagem determinada pelo juiz. 

O que é o salário líquido?

O salário líquido é o dinheiro que cai na conta do trabalhador após todos os descontos cabíveis. Ou seja, é o dinheiro que você recebe em mãos.

Com as variáveis dos descontos, o salário líquido pode ser maior ou menor, dependendo do mês. Por essa variação é que os cálculos de benefícios e descontos devem considerar somente o salário bruto, que não muda.

Afinz e você

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