Assim como o preço de suprimentos em geral, a gasolina também enfrenta altos e baixos no Brasil. Com isso, surgem dúvidas sobre como funciona o preço da gasolina e o que pode ser feito para diminuir esses números. 

Para entender melhor como é feita a produção de gasolina e outros combustíveis — e como é regulamentado os preços para esses produtos — precisamos analisar o mercado petrolífero e a posição do Brasil no setor.

Neste artigo vamos explicar como tudo isso afeta o seu dia a dia — e o seu bolso. Continue a leitura e saiba como funciona o preço da gasolina!

O que faz a gasolina estar tão cara?

Os preços dos combustíveis estão passando por um momento de alta desde 2021, quando a gasolina acumulou alta de 47,49% e o etanol subiu 62,23%.

Em 2022, o fenômeno continua. Segundo o IBGE, a gasolina ficou 8,83% mais cara durante o primeiro semestre do ano. Outros combustíveis também aumentaram:

  • Etanol: + 2,63% 
  • Óleo: + 28,49%

Tudo isso influencia no dia a dia do brasileiro, afetando não só quem dirige, mas também o preço de outros produtos.

Isso acontece porque o transporte brasileiro é majoritariamente rodoviário. Ou seja, quase tudo que compramos e consumimos é transportado por caminhões, que utilizam esses combustíveis.

Mas, o que exatamente faz com que os combustíveis tenham preços tão altos?

Essa resposta inclui influências de economia interna e externa. Confira todos os fatores que influenciam no valor dos combustíveis no Brasil.

Como é feita a composição do preço da gasolina ao consumidor?

A gasolina é um combustível derivado do petróleo e o seu preço acompanha as altas e baixas do mercado petrolífero.

O Brasil é um dos países com maior fonte de petróleo — com o pré-sal e outras fontes. Porém, alguns fatores tornam esse combustível mais caro, mesmo com uma vasta quantidade disponível.

Isso acontece porque, entre a extração de petróleo e a gasolina que abastece o seu carro, há um longo caminho.

No Brasil, quem controla a produção de petróleo é a Petrobrás, uma instituição governamental.

Para a produção desse combustível, o petróleo segue esse caminho:

  1. A Petrobras faz a extração do petróleo; 
  2. Para ser transformado em combustível, o petróleo precisa ser refinado. Após a refinação, ele pode resultar em combustíveis diversos, como gasolina, óleo diesel e o GLP (gás de cozinha);
  3. Após refinado, o combustível é vendido para as distribuidoras e revendedoras; 
  4. Essas empresas, então, vendem para as pessoas usuárias por postos de distribuição — os postos de gasolina e de revendas de gás. 

Porém, além de todo esse processo de venda e revenda, outros fatores são importantes para a precificação dos combustíveis.

A cada etapa, novos custos são incorporados ao preço final. Olha só:

1. Preço internacional do petróleo

O petróleo é um insumo de grande importância internacional, usado por diferentes indústrias. 

Em casos de crises internacionais, o preço do galão de petróleo pode disparar. Esse é um dos fatores que afetam o preço atual dos combustíveis. 

Outro fator é que o Brasil não possui refinarias o suficiente para transformar todo o petróleo extraído em combustíveis.

Sendo assim, o país exporta petróleo (envia para fora do país) e importa diesel e gasolina (compra os combustíveis refinados de fora). 

Toda essa transação envolve muitos custos, o que também aumenta o preço final.

2. Política de preços da Petrobrás

A política de preços da Petrobrás é o que regula a precificação dos combustíveis em todo o país. 

Essa política existe há muitos anos, com o objetivo de regular e manter os preços acessíveis à população, evitando impactar em outros setores da economia.

Porém, ela passou por reformas e hoje tem um novo cálculo. A política de preços passou por mudanças em 2016, para usar então o Preço de Paridade de Importação (PPI) para definir os reajustes da gasolina e do óleo diesel.

Com isso, os preços dos combustíveis passam a variar conforme as cotações do petróleo e seus derivados, baseando-se nos principais mercados mundiais (Golfo do México, Estados Unidos, e de Londres).

Além de acompanhar o PPI, os preços também consideram o câmbio e os custos de importação.

Com isso, a Petrobrás visa se manter na competição com as importadoras do setor.

Para acompanhar como a Petrobrás acompanha os preços em todo o país, você pode sempre consultar a página de Preços dos Combustíveis, com tabelas atualizadas regularmente a cada mudança.

3. Impostos

Agora que já sabemos como funciona a importação e exportação do petróleo para refinamento, custos de operação e a política de preços da Petrobrás, chega o momento de falar dos impostos.

Segundo a Petrobras, o valor final é composto por quatro fases: 

  1. Preços do produtor ou importador de gasolina; 
  2. Carga tributária (impostos); 
  3. Custo do etanol obrigatório no custo do etanol anidro (no caso da gasolina) e do biodiesel (no caso do diesel) e 
  4. Margens da distribuição e revenda.

 Com isso e a mudança de 2016, o preço pago pelo consumidor é uma soma de taxas. 

São incluídos os  impostos (ICMS, PIS/Pasep e Cofins, e Cide), margem de lucros do produtor ou importador, custo do etanol anidro e do biodiesel, e margens de lucros do distribuidor e revendedor.

Como é feito o cálculo da carga tributária que incide sobre os combustíveis?

Cada combustível derivado do petróleo tem um cálculo diferente sobre os tributos, margens de lucro e custos operacionais.

Esse cálculo é baseado nos preços médios de diesel da Petrobras e nos preços médios de diesel ao consumidor final nos 26 estados e no distrito federal. Ele se aplica tanto à gasolina quanto ao diesel.

Preço do Diesel

O preço do Diesel que encontramos nos postos de abastecimento é dividido em:

  • 63,2% (Petrobras);
  • 14,7% (Distribuição e venda);
  • 11,7% (Imposto estadual);
  • 10,4% (Diesel);
  • 0% (Imposto federal).
(Fonte e ilustração: Petrobras)

Preço da Gasolina

Já o preço da gasolina, repassado ao consumidor, passa por um cálculo com outras porcentagens:

  • 38,8% (Petrobras);
  • 14,3% (Distribuição e venda);
  • 24,1% (Imposto estadual);
  • 13,2% (Custo etanol anidro);
  • 9,5% (Imposto federal).
(Fonte e ilustração: Petrobras)

Os preços podem cair?

Sim, podem sim. Na verdade, os preços já estão passando por quedas a cada semana. Mas é importante entender porque essa variação está acontecendo.

Outro fator que influencia o preço dos combustíveis é a política. Por ser um insumo de grande importância para a população e a Petrobrás ser uma empresa estatal, decretos podem, sim, abaixar os preços.

E é o que está acontecendo no momento. 

Embora os preços internacionais tenham passado por uma redução recente, especialistas afirmam que a tendência é de um novo aumento.

Mas, por estarmos a poucos meses das eleições, também há a possibilidade de os preços continuarem baixando. Ou pelos menos pararem de aumentar.

A queda dos preços pode continuar?

Segundo a Petrobrás, a queda dos preços irá continuar. A empresa também emitiu uma nota na semana do dia 12 de agosto de 2022, quando uma nova queda foi anunciada.

Nesta nota, a Petrobrás afirma que “acompanha a evolução dos preços de referência, que se estabilizaram em patamar inferior para o diesel, e é coerente com a prática de preços da Petrobras, que busca o equilíbrio dos seus preços com o mercado global, mas sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio”.

Afinz e você

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