Você com certeza já deve ter visto uma reportagem sobre a crise econômica e se perguntou sobre a possibilidade de uma solução muito simples aos cofres públicos: imprimir dinheiro.
Acontece que “imprimir” mais dinheiro não resolve nenhum problema. Na verdade, pode causar efeitos bem negativos na macroeconomia, como uma inflação descontrolada.
Quer entender melhor como e porque isso acontece? Explicamos neste artigo tudo o que você precisa saber sobre a impressão de moeda e como os cofres públicos podem lidar com a crise.
O que você irá ler neste artigo?
O que significa imprimir dinheiro?
Quando falamos em “imprimir dinheiro” estamos nos referimos à emissão de moeda por parte do governo. Normalmente a Casa da Moeda é responsável por fabricar o dinheiro em papel e em moedas de metal que utilizamos no dia a dia.
Porém, a moeda física é apenas uma representação concreta do valor monetário. Algo palpável para facilitar as transações como compras e pagamentos.
“Mas Afinz, se a economia está ruim não é só imprimir mais dinheiro?”
Não é bem assim, e vamos explicar o porquê a seguir.
Por que não é só “imprimir” mais dinheiro?
Para que a emissão de mais dinheiro faça sentido economicamente, é necessário que a economia do país esteja aquecida, impulsionada por investimentos em produção. Em outras palavras, imprimir mais dinheiro só faz sentido se o país também produzir mais produtos e serviços.
Se mais pessoas têm dinheiro em mãos para consumir, mas a produção continua a mesma, os produtos e serviços ficarão cada vez mais caros. É assim que atingimos uma inflação descontrolada.
Portanto, simplesmente imprimir mais dinheiro sem um correspondente aumento na produção pode levar a um cenário onde o dinheiro perde valor e os preços sobem, prejudicando a economia como um todo.
Como funciona a impressão de dinheiro no Brasil?

Todos os anos, cédulas de dinheiro são descartadas e novas são produzidas. As últimas pesquisas estimam que 1,45 bilhão de cédulas foram destruídas e 1,54 bilhão de novas notas foram colocadas em circulação.
Isso acontece porque o Banco Central mantém um controle de qualidade sobre as cédulas em circulação. Assim, evitam-se golpes com notas falsas, por exemplo.
Mas todo esse descarte e produção possuem um custo e o número de novas notas não pode ser muito maior que o de cédulas descartadas.
Para a impressão de novas cédulas, é preciso que o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorize a operação. Com a autorização, o Banco Central deve comprar títulos do Tesouro Nacional, de modo a financiar a operação.
A partir disso, o BC envia novos valores ao governo, que pode, então, colocar mais cédulas em circulação.
E a nota de R$200 nisso tudo?
A criação da nota de R$ 200, lançada no dia 2 de setembro de 2020, foi uma medida preventiva a uma possível piora da economia no país.
Segundo as autoridades governamentais, a nota de 200 reais foi criada para facilitar o pagamento do auxílio emergencial e evitar o “entesouramento”, que é a prática de guardar dinheiro físico em casa. Com o desemprego e a crise do COVID-19, mais pessoas passaram a guardar dinheiro em casa no ano de 2020.
“Se você conhece alguém que tem o hábito de guardar dinheiro no colchão ou em um cofrinho, então você sabe como é feito o entesouramento! 😉”
Acontece que esse dinheiro guardado não circula no comércio, nem fica à disposição dos bancos, o que acaba prejudicando a economia. Quanto mais cédulas são sacadas e armazenadas fora dos bancos, mais cédulas são necessárias para impressão. O que acarreta um alto custo ao Banco Central.
Por isso, com as notas de R$ 200, essa operação pode ser barateada, já que será necessário emitir um volume menor de cédulas.
Quando os países recorrem à impressão de dinheiro?
A emissão de moeda pode derivar de diversos fatores, todos sempre ligados à economia do país. Entre os principais fatores estão:
- Renovação da moeda: Substituição de cédulas danificadas ou desgastadas;
- Aumento da riqueza real do país: Quando o país cresce economicamente, gerando mais riqueza;
- Supervalorização da moeda: Ajustes necessários devido à valorização excessiva da moeda;
- Situações de crise grave: Em momentos de crises severas, como guerras e pandemias, os países frequentemente adotam medidas emergenciais para injetar mais dinheiro no mercado.
No entanto, essas ações são sempre acompanhadas de estudos cuidadosos para controlar a inflação e minimizar impactos negativos na economia.
Imprimir dinheiro é sempre ruim?
A impressão de moeda é uma prática muito comum, como acontece com a renovação de cédulas danificadas.
O que muda é o contexto dessa emissão de mais dinheiro e como os órgãos públicos, comércio e instituições financeiras estão preparados para lidar com essa medida.
Em suma, o impacto dessa medida varia dependendo da situação e de como o país está preparado para lidar com a nova quantidade de dinheiro em circulação.
Por que imprimir dinheiro gera inflação?

Quando mais dinheiro é colocado em circulação sem um aumento na produção de bens, os preços tendem a subir. Isso acontece porque, com mais dinheiro em mãos, as pessoas compram mais, mas se a produção das fábricas não acompanha esse aumento na demanda, os produtos ficam mais caros.
Essa situação é conhecida como a relação entre oferta e demanda. Se muita gente quer comprar algo (alta demanda) e há pouco desse algo disponível (baixa oferta), os preços sobem.
A inflação é, basicamente, esse aumento dos preços de produtos e serviços. Ela pode afetar diversos setores, como alimentação, educação, transporte, roupas, moradia, saúde, despesas pessoais e comunicação.
Por outro lado, se a impressão de mais dinheiro vier acompanhada de investimentos na indústria, a produção pode aumentar, e isso ajuda a manter os preços mais estáveis.
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Gerente de Investimentos da Afinz