Você já se perguntou por que todos os anos são lançados novos carros ou celulares super tecnológicos? Ou até mesmo por que um produto com pouco tempo de uso parou de funcionar do nada? Isso tudo tem a ver com a obsolescência programada.

Esse conceito acompanha a indústria de diversos setores, influenciando em como consumimos os produtos. O maior impacto disso é no setor de eletrônicos, com produtos de valores mais altos e o descarte incorreto desses produtos.

Uma das formas de driblar a obsolescência programada é com o consumo consciente. Se você quer entender mais sobre esse assunto e como lidar com a obsolescência programada, continue lendo este artigo! 

O que é obsolescência programada?

O conceito de obsolescência programada surgiu com a produção em larga escala dos produtos. Para manter a produção, é preciso que os consumidores continuem comprando. E para isso, determinam uma data de duração, como se fosse um prazo de validade.

Sendo assim, a obsolescência tem relação com a durabilidade dos produtos e como será o seu ciclo de vida. 

Esse ciclo de vida é programado para ser menor que aquele produto poderia durar. Um exemplo fácil de citar é a duração das lâmpadas. Em algumas embalagens, é informado que as lâmpadas podem durar até 5 anos, mas já temos tecnologia para lâmpadas que podem durar muito mais que isso.

A Lâmpada Centenária é um exemplo de produto produzido fora dos padrões da obsolescência programada. Considerada a lâmpada incandescente mais antiga do mundo, ela se mantém acesa desde 1901 no Corpo de Bombeiros de Livermore-Pleasanton, na Califórnia.

O caso da Lâmpada Centenária é tão famoso que já virou assunto de livros e documentários sobre obsolescência programada. A lâmpada também tem um site e pode ser visitada por turistas.

Quais são os tipos de obsolescência programada? 

A obsolescência programada começou com a queda de vendas de diversos produtos, desde carros às lâmpadas incandescentes. Ao ter um produto com longa durabilidade e sem nenhum atrativo em novos modelos, os consumidores não compravam mais daquele item.

Dos anos 1920, quando esse fenômeno começou, até os dias de hoje, muita coisa mudou nas indústrias e como a obsolescência é seguida. Assim, novos tipos de obsolescência surgiram.

Obsolescência percebida ou perceptiva

Não é um tipo de obsolescência programada pelo fabricante, criando defeitos ou diminuindo a vida útil do produto, mas uma ideia de que o produto está ultrapassado.

Esse é o conceito mais utilizado pelas fabricantes de automóveis. Todo ano sai uma versão atualizada de um modelo de carro, com novas funcionalidades e tecnologias avançadas.

Essa “atualização” faz com que o modelo anterior esteja ultrapassado. A partir disso, diversas estratégias de marketing são utilizadas para convencer o consumidor de que ele precisa comprar o novo modelo.

Fique sabendo que, se você já caiu na tentação de trocar um produto que ainda funciona por uma versão mais nova, é por causa da obsolescência perceptiva. 

Obsolescência tecnológica

Esse tipo de obsolescência não é muito diferente da perceptiva, já que consiste na versão mais “avançada” de um produto.

A grande diferença é que a obsolescência tecnológica é utilizada junto da perceptiva. Desse jeito, muitas vezes achamos que um produto é muito mais avançado que o modelo anterior, mas as diferenças tecnológicas são muito pequenas.

Esse é um fenômeno muito conhecido do mercado de produtos eletrônicos. Todos os anos as marcas criam novos smartphones, muito mais caros e muito mais desejados. Mas, na prática, pouquíssimas coisas mudam de verdade (como resolução de imagem, novas tecnologias na durabilidade do aparelho, capacidade de memória interna, etc.).

Obsolescência programada no Brasil

O Brasil é um dos países com maior número de eletrônicos descartados por ano. Segundo o relatório Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA, 2010), entre os países emergentes, o Brasil só perde para a China no volume de lixo digital produzido.

Entre os produtos com maior descarte, podemos citar os computadores, celulares, televisores e impressoras domésticas. 

Em 2017, uma pesquisa apontou que a maior parte das pessoas (59%) alegaram trocar de aparelho eletrônico após o produto anterior ter quebrado. 28% realizaram a troca por o produto não atender mais às suas necessidades, 12% alegaram que o produto anterior era ultrapassado, e 1% realizou uma nova compra apenas porque um novo modelo foi lançado.

Esses dados são reflexo da falta do consumo consciente, que não só é prejudicial para a sua saúde financeira, mas também gera um grande volume de lixo eletrônico.

Impactos ambientais da obsolescência programada

O descarte dos eletrônicos ainda é um assunto que precisa ser debatido. Muitos países não têm planos de reutilização desses materiais, que são altamente poluentes quando descartados incorretamente.

Segundo um levantamento da Global E-waste Statistics Partnership (GESP), em 2019 foram descartados cerca de 53,6 milhões de toneladas de lixo eletrônico. Além do problema ambiental, também fica evidente o problema social sobre o descarte de eletrônicos.

É comum que grande parte desse lixo seja enviado para países mais pobres, criando enormes aterros de lixo eletrônico. Um dos países que sofre com isso é Gana, como mostra o documentário espanhol A Conspiração da Lâmpada (ou Obsolescência Programada, dependendo da tradução).

No país, a região com maior descarte de lixo eletrônico vindo do exterior é Agbogbloshie, conhecida como “lixão do mundo”.

Os efeitos disso já podem ser percebidos entre a população que mora nos arredores dos aterros sanitários e dos trabalhadores que lidam com a queima do lixo eletrônico. 

A contaminação por chumbo, alumínio e cobre já foi detectada no leite materno de mulheres da região e estima-se que seja a causa pelo alto índice de casos de câncer entre adultos e crianças.

Alternativas para reutilização

Muitas pessoas pensam que o lixo eletrônico não é reciclável, mas a verdade é que é possível reaproveitar quase 100% de um produto eletrônico descartado.

Materiais como ferro, alumínio, vidro e plástico são separados e enviados para reciclagem. Já outros componentes podem ser triturados e encaminhados para servirem de matéria-prima para novos eletrônicos.

No Brasil, contamos com a  Política Nacional de Resíduos Sólidos, que responsabiliza as grandes empresas a determinarem o descarte correto dos seus produtos. 

Com essa medida, muitas empresas têm distribuído pontos de coleta de lixo eletrônico pelas cidades brasileiras. 

Para encontrar um ponto de descarte na sua cidade, você pode procurar em lojas de departamento que vendem eletrônicos, lojas especializadas ou na prefeitura.

Como evitar a obsolescência programada?

A obsolescência programada é um problema que aflige diversos países, e para combater isso, leis e regulamentações internacionais já estão sendo criadas.

Além da vigilância sobre as empresas que diminuem a vida útil de seus produtos, também devemos observar como consumimos esses produtos. Será que eu realmente preciso de um celular novo, se o meu ainda funciona?

O consumo consciente é uma prática que ajuda o nosso bolso e o meio ambiente. Para mais conteúdos como este, confira nossos artigos aqui no blog Afinz e nos acompanhe nas redes sociais!