A educação financeira não é exclusividade para quem trabalha para se sustentar. As crianças também devem ser incentivadas a aprender como lidar com o dinheiro. Uma das formas de fazer isso é com a mesada educativa.

A mesada é uma forma de não só educar a criança sobre dinheiro, mas também sobre responsabilidade e consciência.

Neste artigo explicaremos como funciona a mesada educativa para crianças e como você pode introduzir esse conceito ao dia a dia dos seus filhos. Continue a leitura!

Conceito de mesada educativa

A mesada educativa é um valor, dado pelos responsáveis às crianças, que deve suprir suas necessidades além do básico.

Isso vale para as coisas que a criança quer comprar, por exemplo. Imagine que ela deseja um brinquedo muito caro para ser comprado agora. Como você pode educá-la sobre o valor do dinheiro e poupar para alcançar objetivos?

É aí que entra a mesada educativa. 

Porém, esse também é um conceito que deve ser supervisionado pelos pais com bastante atenção, tomando cuidados para não ter efeitos negativos.

Como funciona a mesada educativa?

A mesada funciona de um jeito muito simples. Conforme a realidade financeira e social da família, você deve definir um valor que será dado à criança todo mês (ou semana, se for mais fácil para gerenciar).

Ao dar esse dinheiro, é preciso definir regras. Assim, a criança saberá como, quando e em que ela pode gastar o dinheiro, porque está recebendo esse valor e a sua importância.

Qual a importância da mesada para a responsabilidade financeira das crianças?

A mesada educativa é uma das melhores formas de evitar que seus filhos se tornem jovens adultos endividados

É muito comum que, ao ter o primeiro emprego, jovens de diversas idades acabem sujando o nome. Atualmente, são mais de 8,56 milhões jovens negativados, entre 18 e 25 anos, no Brasil. 

 Com a mesada, é possível que as crianças tenham consciência sobre economia desde pequenas, sabendo o valor das coisas e como cuidar do próprio dinheiro.

Quando dar mesada às crianças?

O ideal é que a criança já tenha formado algum conhecimento sobre números e a realidade social em que vive.

No caso de crianças muito pequenas, o ideal é começar uma poupança ou fundo de investimento a longo prazo. Dessa forma, você garante uma certa independência financeira para quando o seu filho chegar à idade adulta.

Qual a melhor idade para dar mesada?

A introdução ao dinheiro pode começar aos poucos, com crianças entre 4 e 5 anos. Para isso, você pode oferecer moedas e notas de baixo valor, de forma esporádica, estabelecendo um objetivo para o dinheiro. O famoso cofrinho.

A partir dos 7 anos, o conceito de mesada pode ser introduzido. O mais indicado é oferecer cédulas de valores maiores e em intervalos semanais ou quinzenais.

Na faixa etária dos 12 anos, a criança já está pronta para lidar com responsabilidades maiores. Esse pode ser o momento de introduzir uma mesada mensal, com valor fixo. 

Após essa idade, o adolescente pode ter um aumento de mesada, ou um cartão de débito ou pré-pago com valor depositado mensalmente. Para isso, as responsabilidades também devem ser maiores.

Benefícios da mesada educativa para a família

A mesada educativa não traz só benefícios às crianças, mas também aos responsáveis. Com a divisão de tarefas, atribuição de responsabilidades e educação financeira, toda a família terá vantagens.

Além disso, a mesada pode ser um grande fator para o desenvolvimento da criança, atrelada a fatores como:

  • Melhor capacidade analítica de prioridades;
  • Habilidade em organizar-se financeiramente para poupar e alcançar os objetivos;
  • Maior desempenho em contas matemáticas;
  • Senso de responsabilidade;
  • Educação e comprometimento social.

Uma dica que podemos dar é: tenha você também um controle de gastos e busque se educar financeiramente.

Se você for um bom exemplo de controle financeiro, as crianças terão maior facilidade em seguir os objetivos da mesada educativa.

Em que situações não devemos usar a mesada?

Ainda que com muitos benefícios, algumas contraindicações podem surgir.

O recomendado é que tanto os responsáveis quanto a criança devem ter consciência dos motivos desse dinheiro existir.

Você pode relacionar a mesada às tarefas domésticas ou escolares, mas com cuidado para não causar um efeito negativo — como um pagamento direto por essas tarefas, ou um substituto para a sua presença afetiva com a criança.

Lembre-se que você é o adulto racional e responsável nessa situação e que a mesada não pode ser assemelhada a suborno ou única forma de gratificação familiar.

Evite também usar a mesada como “ameaça”, caso a criança faça uma birra ou cometa um erro. Isso pode motivá-la a realizar suas tarefas, ou se comportar, somente pelo dinheiro.

Esse é um assunto delicado para a educação infantil, mas é preciso lembrar que o objetivo da mesada é educar e preparar o seu filho para as responsabilidades da vida adulta.

Qual o valor da mesada para filhos?

Alguns fatores são muito importantes para definir o valor da mesada e qual será a sua periodicidade.

Em alguns casos, a mesada pode ser semanal, quinzenal ou mensal. Para chegar a essa e outras conclusões sobre como dar a mesada:

  1. Considere a idade da criança: crianças menores podem (e devem) lidar com quantias menores de dinheiro, além de objetivos mais simples e uma periodicidade mais subjetiva (em algumas semanas do mês, por exemplo). Já crianças maiores podem lidar com a responsabilidade de um valor único por mês;
  2. Entenda seu orçamento familiar: evite oferecer um valor muito alto que comprometa a renda familiar, ou que seja um valor muito alto para a criança lidar. Uma família com renda de R$ 5.000, por exemplo, pode oferecer cerca de R$ 50 mensais para a criança. No caso de mais de uma criança, divida o valor igualmente, ou conforme às faixas etárias (e responsabilidades);
  3. Entenda qual será a frequência da mesada: a frequência também é importante. Veja como faz mais sentido para a faixa etária da criança e orçamento familiar, mas sempre considerando o gasto total mensal.
  4. Explique para a criança como será calculada a mesada: com tudo organizado, passe essa informação para a criança. Explique porque ela está recebendo esse dinheiro, quanto é, quando ela receberá de novo e como ela poderá gastar.

Como conversar com a criança sobre o dinheiro?

Esse pode ser um assunto difícil para muitos pais e responsáveis. Porém, falar de dinheiro não precisa — e nem deve — ser um tabu.

Comece explicando o que te levou a tomar essa decisão, o que te faz confiar que ela terá maturidade para isso e como irá funcionar a mesada.

No caso de crianças menores, essa conversa pode ser mais simples. Você pode aproveitar uma data ou brinquedo que a criança queira para ela aprender a chegar àquele objetivo. Por exemplo:

  • Juntar R$ 100 até o natal para comprar determinado brinquedo.

Esse é um objetivo simples, com um valor adequado para o tempo. Vá ajudando a criança a alcançá-lo e a parabenize quando ela conseguir!

Já crianças maiores terão maior facilidade em entender as suas responsabilidades com o dinheiro.

Deixe claro que há regras a serem seguidas, que dinheiro é responsabilidade — mas também pode ser a liberdade de tomar decisões. Como poupar? O que vale a pena usar o dinheiro?

Converse também sobre o valor das coisas, como funciona o orçamento familiar e qual é a realidade social em que a criança se encontra.

Dica: evite oferecer valores muito extravagantes. Isso pode causar um efeito narcisista na criança em relação a familiares da mesma idade ou colegas de escola. 

Afinz e você

Embora esse seja um assunto delicado, que pode preocupar muitos pais e responsáveis, a mesada educativa é muito vantajosa para crianças e adolescentes.

A Afinz acredita que a educação financeira é o melhor caminho. Por isso, buscamos sempre oferecer conteúdos sobre o assunto e as melhores soluções financeiras para você ter mais tempo para você e a família.

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